domingo, 30 de janeiro de 2011

Mãe só muda de endereço





Outro dia, estava eu na cozinha fazendo um bolo, pois no dia seguinte seria aniversário da Luísa. A pia estava toda revirada, farinha para tudo que é lado, a minha mão suja de margarina e a criançada fazendo a maior bagunça. Olhei para o relógio e já eram mais de dez horas da noite, pensei: porque que eu inventei de fazer esse bolo?!

Como a maioria das mulheres que trabalham fora e têm filhos, vivo sem tempo e cansada. Segundo uma pesquisa da Duke University, dos Estados Unidos, "o nível de cortisol, adrenalina e testosterona, substâncias ligadas ao estresse, é três vezes maior em mães que trabalham. A alteração dos hormônios dos homens e mulheres sem filhos aumenta durante o expediente e cai à noite; o das mães não baixa, e em alguns casos chega até a crescer".

Lá em casa não é diferente, quando chego, por volta das oito horas, as crianças estão com a

energia total enquanto eu estou na reserva. Tudo que o meu corpo precisa é descansar

e tudo que o corpinho deles quer é brincar. Nessas horas me sinto a pior mãe do mundo.

Talvez movida por essa culpa, arregacei as mangas e voltei a fazer o bolo, foi então que me lembrei da minha mãe e de um momento parecido com aquele. Como eu adorava quando ela batia um bolo, eu ficava lá, só olhando e esperando ela terminar para lamber o resto da massa doce e gostosa. É lógico que ás vezes a tigela virava objeto de disputa entre os meus irmãos e eu, mas, na grande maioria das vezes, eu ganhava de presente a tigela só pra mim.

Depois desta lembrança, resolvi esquecer a sujeira e viver ou reviver aquele momento. Chamei a Luísa e o Pedro para perto de mim e eles ficaram ali palpitando em cada passo da receita e lá estava eu com os meus filhos fazendo o bolo de brigadeiro que eles tanto gostam.

Foi muito divertido, eles me ajudaram, se lambuzaram, brincamos muito. Após colocar a massa na forma untada chegou o grande momento. Perguntei quem queria lamber a tigela. Confesso que morri de vontade de comer tudo sozinha, mas quando olhei pro lado vi quatro olhinhos brilhando ansiosos e passei o bastão, agora era a vez deles.

Compartilhar aquele momento com eles sem urgências e me divertir com isso me fez uma mãe e uma mulher melhor. Pensei: ainda bem que eu inventei de fazer esse bolo...!

Você pode até achar esta história muito simples, mas, é na simplicidade que encontramos a felicidade.

Até a próxima!

Sugestão de Leitura:
Revista Crescer: É possível ser uma mãe que trabalha mais feliz.
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI107591-10513),00.html
Livro: Travessuras de Mãe, 2010 – Ed.Globo – Denise Fraga. Nas 72 crônicas deste livro, a autora nos faz rir, chorar, refletir. Com ela temos a certeza que ser mãe é realmente uma aventura, e das mais maravilhosas.

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